Nos EUA, Eduardo Bolsonaro afirma que eleição de Flávio levará ao impeachment de Alexandre de Moraes
Durante conferência conservadora, ex-deputado projeta maioria no Senado para afastar ministro; Flávio Bolsonaro é pré-candidato à Presidência

O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro afirmou, nesta sexta-feira (27), que uma eventual vitória do senador Flávio Bolsonaro (PL) resultará na abertura de um processo de impeachment contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). A declaração foi feita durante discurso na Conferência de Ação Política Conservadora (CPAC), realizada nos Estados Unidos.
"Existe um prognóstico que vamos ter a maioria no Senado", disse Eduardo, referindo-se à base aliada de direita. "Os futuros senadores vão 'impichar' o Alexandre de Moraes. Vamos chutar para fora esses juízes", completou o ex-parlamentar, que vive nos EUA desde fevereiro de 2024 após perder o mandato por faltas.
Articulação internacional e denúncias
Eduardo Bolsonaro utilizou o palco do evento para reiterar denúncias de perseguição política no Brasil. Segundo ele, suas contas bancárias seguem congeladas e seu passaporte foi retido. "Não temos medo de você, Alexandre de Moraes. Vamos vencer essas eleições, vamos perdoar Jair Bolsonaro", declarou, sinalizando a intenção de anistiar o ex-presidente caso o grupo retorne ao poder.
O ex-deputado tem atuado como principal articulador internacional de Flávio Bolsonaro, que é pré-candidato à Presidência da República e também discursa no evento neste sábado (28). A estratégia busca construir uma rede de apoio estrangeira, especialmente junto a aliados de Donald Trump.
Tensões diplomáticas e Judiciário
A fala de Eduardo ocorre em um momento de tensão entre o STF e representantes norte-americanos. Recentemente, o ministro Alexandre de Moraes recuou da autorização para que Darren Beattie, conselheiro para relações com o Brasil nos EUA, visitasse Jair Bolsonaro — que cumpre prisão domiciliar em Brasília.
Moraes justificou a proibição afirmando que a visita poderia configurar "indevida ingerência nos assuntos internos do Estado brasileiro". Beattie é um crítico contundente das decisões judiciais que determinaram bloqueios de perfis em redes sociais no Brasil e planejava uma agenda com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Cenário no TSE
A partir de junho, o comando do TSE passará para ministros indicados por Jair Bolsonaro: Kássio Nunes Marques assumirá a presidência e André Mendonça será o vice-presidente. A mudança é vista com expectativa pela ala bolsonarista, que intensifica pedidos para que a comunidade internacional acompanhe de perto o processo eleitoral brasileiro de 2026.


