Isolados, PT e PSDB ensaiam aproximação em Goiás sob sombra de rejeição e avanço da base governista
Antigos adversários, partidos buscam sobrevivência política enquanto Daniel Vilela (MDB) e Wilder Morais (PL) consolidam chapas de direita e centro-direita

O cenário político de Goiás para as eleições de 2026 apresenta um desenho inédito: PT e PSDB, que protagonizaram as principais disputas nas últimas duas décadas, encontram-se atualmente em um "escanteio" estratégico. Enquanto a base governista liderada por Daniel Vilela (MDB) e a ala bolsonarista com Wilder Morais (PL) já adiantam suas peças, petistas e tucanos tentam transformar diálogos informais em uma sobrevivência política fática.
A possível aliança, embora negada publicamente por lideranças como Gustavo Sebba (PSDB) e alas do PT ligadas a pré-candidatos como Luis Cesar Bueno e Valério Luiz Filho, encontra eco em figuras como o ex-tesoureiro Delúbio Soares. Para analistas, a união faz sentido prático: ambos os partidos "jogam parados" e veem o prazo para montagem de chapas se aproximar sem grandes alianças encaminhadas.
O fator rejeição e o "muro" ideológico
Apesar da proximidade logística, o caminho para uma federação ou coligação enfrenta barreiras severas:
Rejeição recorde: Pesquisas indicam que Marconi Perillo (PSDB) e Adriana Accorsi (PT) detêm os maiores índices de rejeição no estado (40%).
Histórico de conflitos: A base eleitoral de ambos vê a união como dissonante. O PSDB de Aécio Neves foi peça central no impeachment de Dilma Rousseff, e o eleitorado goiano — majoritariamente conservador — rejeitou as tentativas de aproximação de Lula com Marconi em 2022.
Desgaste Federal: Dados da AtlasIntel/Bloomberg mostram que a desaprovação do governo Lula atingiu 53,5% em março de 2026, com forte incidência (72,7%) entre jovens de 16 a 24 anos, público que tem peso relevante na demografia goiana.
O isolamento do PT
A "solidão" do PT em Goiás é apontada como resultado de escolhas do próprio diretório estadual, que manteve um purismo ideológico diferente do pragmatismo de Lula em Brasília. Ao rotular o MDB como "golpista" — narrativa reforçada inclusive em desfiles de Carnaval no Rio de Janeiro —, o PT afastou a possibilidade de compor com Daniel Vilela.
Vilela, por sua vez, aproveitou o vácuo. O vice-governador liderou este mês um movimento nacional por independência do MDB nos estados, entregando uma carta ao presidente da sigla, Baleia Rossi, assinada por 17 diretórios. Na prática, Daniel herda o "antipetismo palatável" de Ronaldo Caiado (PSD) e empurra o MDB goiano definitivamente para a direita, isolando qualquer tentativa de aproximação petista.
Foco no Legislativo
Diante de um cenário incerto para o Executivo, tanto o PL quanto o PT parecem recalcular rotas. A tendência é priorizar o Legislativo:
PT: Nomes fortes como Adriana Accorsi e Edward Madureira devem focar na Câmara dos Deputados para garantir bancada e acesso a emendas, em vez de arriscar uma disputa majoritária com números desfavoráveis (Luis Cesar Bueno aparece com 4% e Valério Luiz Filho com 1% na Real Time Big Data).
PL: Segue a cartilha de Jair Bolsonaro, que prioriza o Senado para garantir maioria capaz de enfrentar pautas jurídicas e institucionais.
O desfecho dessa "história que ainda não é fato" entre PT e PSDB dependerá da capacidade de Marconi Perillo e das alas petistas superarem o abismo ideológico em nome da manutenção de seus espaços no tabuleiro goiano.


